• Por: Rafael Casale Em: Pessoal 23.08.2008 4 Comentários

    Para muitos (principalmente os paulistanos), o conteúdo desse relato deve ser corriqueiro, porém foi a primeira vez que me aconteceu. Nenhum um acidente, apenas uma atitude a se pensar.

    Depois de quase três semanas sem pedalar (apenas fim de semana para resolver um coisa ou outra ali) voltei a ativa nos pedais noturnos. Meus pedais são meramente de cunho esportivo, além de ser “anti-estresse”.

    Era perto das nove da noite e eu tinha instalado, a menos de uma hora, um farolzinho tipo “break light” e estava todo contente em voltar a pedalar e ainda pensando “estou mais seguro”. Em uma avenida relativamente larga (três faixas) de Sorocaba, transitava pela faixa extrema da direita e depois de alguns metros peguei à direita onde havia um contorno para retornar a essa mesma pista no sentido oposto. Fiz o contorno e parei no semáforo (vermelho).

    Esse contorno permite o motorista manter a esquerda e cruzar a tal avenida para pegá-la no sentido oposto e permite também o motorista manter a direita para pegar (ou voltar) a via no sentido estava (conforme ilustração abaixo), porém é faixa para apenas um carro e o “V” da bifurcação são apenas indicações pintadas no chão.

    _

    Como minha intenção pegar o “outro lado” da pista, fiquei bem a direita na faixa da esquerda e logo parou um carro atrás de mim. Poucos segundos antes do semáforo abrir parou na minha direita (em cima da faixa pintada no chão) um cidadão de carro e ficou esperando. Logo que o semáforo abriu eu sai na frente e comecei a pedalar e logo ele acelerou o carro atrás de mim ‘enfiou’ o carro na minha direita quase subindo em no canteiro central e começou a olhar para a direita (dele, claro) tentando ver se algum outro carro vinha no sentido da pista qual iríamos nos adentrar (detalhe que se o semáforo abriu para nós, logicamente não viria nenhum carro naquele sentido, pois estavam todos parados no outro semáforo). Nesse momento, por pensar que ele não tinha me visto, dei alguns gritos e acenei com a mão sinalizando que eu “já” estava ali (e que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço).

    Ele reduziu a velocidade e eu fui embora. Claro que alguns instantes depois ele se projetou para me passar, foi quando percebi que ele desacelerou o carro para ficar paralelo a minha bike. Eu olhei pro lado esquerdo achando que ele ia pedir desculpas ou dizer que não havia me visto (como já aconteceu diversas vezes comigo) e o cidadão com o vidro aberto do seu veículo poluidor proferiu a frase em tom agressivo e intimidador:

    - Meu filho (ou amigo?), Sorocaba tem ciclovias!

    A primeira coisa que pensei em responder foi:
    - Mas onde você está vendo ciclovia aqui para eu circular?? - mas instintivamente respondi que era meu direito circular em via pública e que isso estava na lei. O infeliz ficou sem resposta e ficou indagando:

    - Ah, está?
    - Ah, está é?

    Então ele abaixou a mão direita e reduziu uma marcha. Achei que ele ia jogar o carro em cima de mim, então parei de pedalar e me preparei para freiar (ou até me jogar na calçada), mas ele apenas acelerou furioso e foi embora.

    Fiquei assustado, chateado e pensativo. Mal terminei meu percurso e decidi voltar pra casa, na ciclovia, quando tivesse, na rua como é de meu direito. Nesse caminho de volta refleti o tempo todo sobre o ocorrido e as dicussões que sempre rolam na lista da bicicletada (bicicletada-sp@lists.riseup.net) sobre o quão excludende é a idéia que pode passar a existência de uma ciclovia. Ou não só a idéia, o quão excludente realmente é uma ciclovia.

    Talvez eu pare de pedalar… nas ciclovias.

    Au revoir

    Tags: ,

    4 Comentários
Pingar o BlogBlogs Adicionar aos Favoritos BlogBlogs Add to Technorati Favorites BlogBlogs View Renato Tarantelli's profile on LinkedIn web stats Creative Commons License DiHitt